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Isolados, por todos!

  • Foto do escritor: NK.FotoEmpatia
    NK.FotoEmpatia
  • 15 de mar. de 2021
  • 3 min de leitura

Completamos um ano de pandemia.

Uma pessoa da minha família precisou ser internada com febre de 39graus, diarreia e dor de cabeça. Fui para o pronto socorro da minha cidade, 3 dias depois, teste de covid, exame de sangue e antibióticos, tivemos alta.


Graças a Deus, uma infeção no sangue.


Entendeu a gravidade da situação? Estamos dando graças a Deus por uma infeção no sangue, que Graças a Deus pode ser tratada em casa com antibióticos.


Sabe porque graças a Deus? Porque nesses 3 dias vimos poucas coisas, mas são coisas desesperadoras para quem não está acostumado a lidar com essas situações.


Uma pessoa nova, chegar sem ar, sem conseguir falar o próprio nome, a família pedindo para ajudar, aparentemente eles tem convênio, mas ele estava tão mal que vieram no local mais próximo, aqui na nossa cidade não temos equipamentos adequados, vai ser transferido, mas para onde? Justamente, por nós e outras cidades não termos os equipamentos adequados, muitos são transferidos e a região toda esta lotada.


Só consegui ouvir a voz daquele rapaz 1 vez tentando dizer os remédios que ele tem alergia, depois ele ficou com a máscara de oxigênio o tempo todo e ainda assim respirando com dificuldade.

Orei por ele, pela família e pela equipe médica várias vezes enquanto esperava meu familiar melhorar.


Um dia depois da alta, tive que voltar pro PA com meu familiar, a perna inchou, ele gritava de dor.

Ficou internado mais uma vez, a infeção vinha da perna, internação, antibiótico, querem transferir para um hospital para fazer uma avaliação melhor da perna.

Mais 3 dias, na hora do almoço, estou chegando com a marmita para ele almoçar, a cidade está fazendo carreata em homenagem a um profissional do Samu que infelizmente faleceu por causa do COVID-19.


Eu realmente não consigo lidar com essas situações, as ambulâncias com a sirene ligada, a equipe médica na calçada esperando o cortejo passar, o pronto atendimento está cheio de novo. A gente sente a correria e preocupação no olhar das enfermeiras e técnicas de enfermagem, aparentemente temos 2 covid positivo no PA tentando ser transferido ou melhorar para ir ficar isolados em casa.


Meus olhos já estão cheios de lágrimas, eu não consigo lidar com isso, meu familiar que está internado não pode ter contato com covid, meus outros parentes não podem ter contato com covid.

Eu assino uma declaração de "recusa de atendimento", vou levar meu familiar para casa, já foram feitas 5 tentativas para transferi-lo, mas todos os hospitais da região estão lotados. Graças a Deus o caso dele não é tão grave. Apesar de estar com a perna do dobro do tamanho normal e com dor, neste momento para o nosso bem e para dar espaço para quem realmente precisa, vamos negar atendimento e tentar resolver de outra forma.


Eu realmente nunca imaginei viver uma situação dessas, eu definitivamente não entendo quem não se comove, não se solidariza com os familiares, com os profissionais de saúde e com todo o sistema de saúde do Brasil e do mundo.


É só usar máscara, lavar bem as mãos, usar álcool em gel e fazer todo o possível para não ficar na rua desnecessariamente. É só isso!


Não estamos sendo recrutados para bombear oxigênio para os pacientes.

Não estamos sendo recrutados para levar alimento para os profissionais de saúde que estão dobrando plantões.

Não estamos sendo obrigados a nada.


Somente está sendo pedido que tenhamos EMPATIA, AMOR AO PRÓXIMO ou no mínimo RESPEITO pelo momento.

Estamos todos no mesmo barco, mas cada um remando para um lado. Precisamos mudar esse pensamento de que: "eu não mudo o mundo."

Neste momento, cada atitude conta!

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