As fitas coloridas
- NK
- 18 de jul. de 2018
- 3 min de leitura

Quando você olha para esta fotografia, o que você pensa?
Talvez pense coisas como:
“Nossa, que falta de capricho!”;
“A festa já devia estar no fim.”;
“As crianças se divertiram muito.”
Não seria nenhum absurdo pensar essas coisas, confesso que olhando somente para a imagem acima eu pensaria o mesmo.
Mas eu estava lá, festa junina de uma escola pública de ensino fundamental. São muitas crianças, não somente as que estudam lá, mas as convidadas também, os familiares e amigos.
Essa fita delimita o espaço entre o público que assisti as apresentações e as crianças que se apresentam. Eu costumo chegar próximo a esse espaço somente na apresentação do meu filho, pois é um espaço concorrido, todo mundo quer presenciar sua criança dançando, tirar fotos, filmar e às vezes até dar um apoio emocional, pois para algumas delas, esse é um momento desafiador.
Foi neste momento que reparei nas fitas. Eram muitas fitas coloridas pelo chão, ainda estávamos no meio da festa, eram muitos espaços vazios na fita preta. Observando mais um pouco, cada fita colorida foi cuidadosamente grampeada na fita preta, alternando cores; roxo, laranja, amarelo.
Foi ai que meu foco mudou, comecei a pensar além das fitas.
As professoras e professores, coordenadores, auxiliares de cozinha, inspetores de pátio, enfim, todos eles, agachados, sentados ou de pé mesmo grampeando fita por fita. Poderia ser somente a fita preta, mas eles se preocuparam e grampearam fita por fita.
De repente outro pensamento me vem em mente, (já trabalhei “por conta”, tive minha própria empresa, então algumas coisas passam a ter outro valor no dia-a-dia) os grampos do grampeador. Quantos grampos foram usados para essa decoração, isso pode fazer uma falta danada na hora de organizar os papéis da escola.
Aonde quero chegar com isso tudo?!
Na maior parte do tempo que pude observar, são os adultos que estragam a decoração, ou quando são liberados para entrar na parte restrita e fotografar as crianças mais de perto, ou quando permitem que as crianças tirem as fitas para brincar e algumas vezes as crianças menores tentam passar e se enroscam nas fitas coloridas.
E eu só pensava: “Poxa, será que ninguém se coloca no lugar dessas pessoas que se dedicaram, se esforçaram, se dispuseram a deixar a escola mais alegre para este dia?! E as outras crianças do final da festa quando forem se apresentar?! As fotos já estarão com cara de final de festa mesmo, elas nem terão chance de ver como estava bonito e como se dedicaram por elas. Ou até mesmo, será que não pensam que foi investido dinheiro e material até nas coisas mais simples dessa festa, que seria bom dar valor nisso e manter como fizeram”.
Acredito que um pouco mais de cuidado dos adultos para passar pela fita na hora que é permitido já faria uma grande diferença, pois literalmente parece que uma porteira esta sendo aberta, um querendo chegar primeiro que o outro para pegar o melhor lugar para fotografar sua criança. Ou simplesmente entendendo que se há uma delimitação, ela deve ser respeitada e devemos ensinar isso para as crianças, mesmo que pequenas.
Pensar e se colocar no lugar do próximo não é tão difícil assim.
Dar valor no trabalho e esforço alheio também não.
As mudanças acontecem nas atitudes simples do dia-a-dia.





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